JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE E TECNOLOGIAS EM DIABETES: MECANISMO DE EQUIDADE OU REPRODUÇÃO DE DESIGUALDADES?

Resumo

O artigo examina a judicialização da saúde no Brasil a partir do acesso a tecnologias terapêuticas para o diabetes tipo 1, como sensores de monitorização contínua de glicose e bombas de insulina, problematizando sua função no âmbito do direito fundamental à saúde. Parte-se da hipótese de que, embora a atuação judicial constitua mecanismo de concretização do mínimo existencial e de controle de omissões estatais, sua operacionalização pode revelar assimetrias estruturais incompatíveis com o ideal constitucional de equidade. Desenvolve-se análise dogmática do direito à saúde como direito social de eficácia imediata, articulando os princípios da universalidade, integralidade e igualdade material com o debate contemporâneo sobre reserva do possível e responsabilidade solidária dos entes federativos. Em seguida, investiga-se, em perspectiva exploratória, o perfil socioeconômico e informacional dos indivíduos que recorrem ao Judiciário para obtenção dessas tecnologias, com o propósito de identificar condicionantes estruturais do acesso ao sistema de justiça. Sustenta-se que o caráter universal do direito não se projeta automaticamente sobre os mecanismos de sua exigibilidade, podendo a judicialização operar como filtro seletivo dependente de capital jurídico e informacional. Conclui-se que a judicialização representa instrumento relevante de efetivação de direitos, porém insuficiente para assegurar equidade distributiva, demandando respostas institucionais integradas entre o sistema de justiça e as políticas públicas de incorporação tecnológica em saúde.


 


 

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Biografia do Autor

Rodrigo de Azeredo Siqueira

 Professor do curso de Medicina da Universidade Iguaçu (UNIG), Professor e pesquisador do Grupo de Pesquisa Pessoas em Vulnerabilidade e Direito da Universidade Iguaçu. Doutor em endocrinologia pela UFRJ

 
Matheus Manzoli Neves

Estudante de Direito da Universidade Iguaçu 

 
Isabelle Duarte da Rocha

Estudante de medicina da universidade Iguaçu 

 
Patricia Maria Dusek

Professora e Pesquisadora no Programa de Mestrado e Doutorado em Desenvolvimento Local da Unisuam e do Grupo de Pesquisa Pessoas em Vulnerabilidade e Direito da Universidade Iguaçu. Docente do Curso de Direito da Universidade Estácio de Sá. Doutora em Direito pela Universidade Gama Filho

 
Publicado
2026-06-11
Como Citar
SIQUEIRA, Rodrigo de Azeredo et al. JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE E TECNOLOGIAS EM DIABETES: MECANISMO DE EQUIDADE OU REPRODUÇÃO DE DESIGUALDADES?. Revista da Seção Judiciária do Rio de Janeiro - Auditorium, [S.l.], v. 30, n. 64, p. 301-324, jun. 2026. ISSN 2177-8337. Disponível em: <https://lexcultccjf.trf2.jus.br/index.php/revistasjrj/article/view/933>. Acesso em: 12 jun. 2026. doi: https://doi.org/10.30749/2177-8337.v30n64p301-324.
Seção
Dossiê “DIREITO E VULNERABILIDADE SOCIAL”

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